Coluna: A Canção do Gelo e Fogo

Algo a mais sobre o universo westerosi lido e assistido, inspirado no romance de G.R.R.Martin

Sempre tive admiração e certo tipo de amor por livros grossos, mesmo que eu tenha o conhecimento que alguns autores enchem linguiça além do necessário para compreensão da trama. Como não olhar para os romances de Martin e não pensar o mesmo? Stephen King faz isso o tempo todo! – apesar de conseguir manter a qualidade.

Minha primeira bienal do livro em setembro de 2011 estava cheia de stands com até então os três volumes lançados da Guerra dos Tronos, e o meu “eu leitor voraz” não teve como não cobiçar armazenar tais exemplares na minha estante até então modesta. Confesso que os livros ficaram lindos junto com as outras séries, não os comprei na bienal, ganhei de três amigos especiais e por muito tempo cultivei o desejo de finalmente lê-los.

Admito que o desejo aumentou com o tempo, amigos começaram a assistir e espalhar pelos quatro ventos o quanto era bom todo aquele universo, as páginas no facebook e posts em redes sociais dando os terríveis spoilers que até então eu estava imune e não precisava evitar, além do fato de me sentir órfão após términos de séries fantásticas como Harry Potter, As Fronteiras do Universo, O Senhor dos Anéis e O Guia do Mochileiro das Galáxias, que estiveram sempre na minha mochila escolar.

O que eu mais temi e porque evitei começar a ler Martin era o medo terrível que me assola até hoje, o receio de não ler o desfecho se caso acontecesse algo com ele antes do final de sua escrita terminar, e ter que me contentar com todas as possíveis teorias que enchem os diversos fóruns na internet e com a série de tv finalizando do jeito que os produtores acharem melhor- apesar deles saberem o final já antecipado por Martin.

Na primeira férias da faculdade comecei a assistir a primeira temporada, fui fisgado a ponto de querer ver um episódio atrás do outro, quando dei por mim já estava louco para assistir a segunda. Eu como leitor sou um péssimo telespectador de suas adaptações, talvez a primeira temporada tenha para mim uma magia que as outras não conservaram ou irá se repetir, eu não sabia do enredo e consumi a série sem nenhuma dificuldade, sem nenhuma crítica negativa ou decepção.

Os choques com o penúltimo episódio me tiraram o fôlego, vimos o nosso protagonista e Mão do Rei morrer cruelmente pelas ordens de um bastardo que nos fez desejar por longos minutos e centenas de páginas, que a sua morte fosse cruelmente prolongada e sofrida.

Fomos preparados naquele instante para tudo de ruim que aconteceu depois, não estávamos lendo um conto de fadas onde os mocinhos estão imunes aos infortúnios, o jogo dos tronos é cruel e beira a realidade apesar de alguns exageros. Quem não desejaria após o final de Eddard Stark que o jovem e adorável Ramsay Bolton tivesse encontrado Joffrey antes das pedras do colar de Sansa, e tivesse feito com ele pior do que fez com Fedor.

A quinta temporada acumulou dezenas de polêmicas, seja pelas mudanças no enredo, pela exclusão de personagens que queríamos ver, pela violência, pelo desconhecido que está por vir traduzido na cena em que os White Walkers dão o ar de suas graças numa batalha de tirar o fôlego ou simplesmente pela história ter perdido um pouco do fôlego que estávamos acostumados.

Para quem só assistiu a série produzida pela HBO pode ficar tranquilo, o Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões são livros praticamente sem clímax apesar de dar indícios do que está por vir n’Os Ventos de Inverno.

A última temporada produzida terminou no domingo, 13, e conseguiu condensar no último episódio cenas que chocaram e despertaram os mais variados sentimentos. Tanto em quem já estava acostumado com toda a carnificina dos adorados personagens principais, cheios de importância e com pontos de vista próprios, como também nossos odiados vilões nos fizeram ter uma espécie de pena de suas desventuras – “que os Sete os julguem com sabedoria”.

Chegamos a um ponto em que a série emparelhou com os livros, se isso é bom eu não sei, teremos agora uma adaptação nos dando spoilers da série que lhe inspirou. Leitores mais conservadores como eu não aprovam as mudanças, não digerem com tanta facilidade os spoilers que por vezes ou outra “nós” os fiéis leitores das muitas páginas das crônicas de Martin, soltávamos “sem querer” numa conversa- para horror e indignação de quem só acompanha a série.

No próximo ano, ou assistimos conformados à sexta temporada sabendo que os produtores criaram uma espécie de fan fiction com a história dos livros dando um outro direcionamento a trama, ou esperamos resilientes que Martin finalmente esteja terminando o sexto volume da sua saga e que lance a tempo de não perdemos toda a graça dos detalhes do enredo “oficial”.

Com o epílogo de Daenerys na dança dos dragões e com a cena final do Lord Comandante sendo esfaqueado na Muralha, só resta uma certeza para todos nós: O inverno finalmente chegou e com ele virá uma longa noite cheia de terrores!

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